Especial Tim Burton – parte 1

Dia 25 de agosto é um dia muito especial, é quando o cineasta Tim Burton faz aniversário. Em 2018, a data tem um significado ainda maior, pois este sujeito tão amado e admirado está chegando aos 60 anos com motivos de sobra para se orgulhar de sua trajetória, ainda que tenha cometido alguns deslizes.

Com uma filmografia diversificada (ele já fez animações, dramas, fantasias, filmes de super-heróis e até um musical) e capaz de atrair pessoas de gostos distintos, é evidente que quem se atrai pelo visual gótico ou pelo estranho encontrou em Burton uma grande referência, além de um cineasta para se acompanhar.

Mas nem só de Edward Mãos de Tesoura e Os Fantasmas se Divertem vivem os fãs de Burton. Hoje, por exemplo, temos três dramas que fazem parte de sua obra. Por isso, ao longo da semana, vamos falar das diferentes fases de sua filmografia. Apreciem sem parcimônia!

 

Ed Wood (1994)

Não deve ser fácil carregar a alcunha de “pior cineasta do mundo”. Quem leva este crédito é o estadunidense Edward D. Wood Jr., que concebeu filmes de qualidade duvidosa, como Glen ou Glenda e Plano 9 do Espaço Sideral, mas sempre se mostrou uma pessoa íntegra e, mais do que isso, apaixonada de verdade por cinema, não necessariamente pelo dinheiro.

O filme mostra a Hollywood dos anos 1950 sem o glamour que normalmente vemos em obras da época. Enquanto tenta se firmar como cineasta, Ed Wood encontra obstáculos como a falta de dinheiro, limitação de recursos e o descaso com que grandes atores são tratados quando caem no esquecimento. Aos trancos e barrancos, o diretor vive do sonho de trabalhar com cinema, se espelha em Orson Welles e desenvolve grande amizade com o ator Bela Lugosi.

Com a fotografia de Stefan Czapsky, Ed Wood mostra um universo típico dos filmes de Burton realizados nos anos 1990, com uma aura clássica e alma gótica. Pelo filme, Martin Landau foi premiado com o Oscar e o Globo de Ouro ao interpretar com maestria um Bela Lugosi frustrado e pouco lembrado, mas ainda com muita vontade de fazer filmes. Johnny Depp mostrou que aguentava carregar o peso de um biografado e desenvolve de maneira ímpar o personagem-título.

Apesar do tom cômico presente no filme, é inegável que se trata de um drama sobre como o mundo pode lidar com nossos sonhos, nossos costumes e nossa humanidade. Hoje, Edward D. Wood Jr. tem uma legião de fãs que reconhece e respeita seu trabalho.

 

Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003)

Apontado por muitos como o mais sensível e poético dos filmes de Tim Burton, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas mostra, com muita sutileza, uma complicada relação entre pai e filho. Edward Bloom (Ewan McGregor) é um homem carismático que gosta de contar grandes histórias. O que parece ser uma característica apreciada por muitos acabou afastando seu filho, pois o jovem se recente por não conhecer o pai a fundo.

A partir disso, o espectador é convidado a revisitar toda a vida de Edward, desde o nascimento, passando pela infância e juventude, até o amadurecimento.

Cheio de encanto e magia, o filme se permite ser um drama carregado de fantasia e conta, entre outras coisas, uma bela história de amor. É um filme fácil de indicar para um amigo, porque suas características agradam aos diversos tipos de público e, mais do que isso, emociona até mesmo os fãs de filmes mais tensos.

Grandes Olhos (2014)

Se não é fácil ser mulher no século XXI, nos anos 1950 as coisas eram bem piores. Nessa época, Margaret Ulbrich (Amy Adams) tenta ser uma mulher independente e criar a filha sozinha após o divórcio, porém encontra dificuldade em arrumar um emprego com o rótulo de “divorciada” na testa. Usando seu lado artístico e a criatividade, ela tenta a sorte como pintora em uma feira. Lá, conhece o aspirante a artista Walter Keane (Christolph Waltz), se apaixona e os dois se casam.

Não demora para que o Walter se aproveite da assinatura da esposa nos quadros e passa a assumir a autoria das pinturas que carregam como característica principal o tamanho desproporcional dos olhos, ficando com a fama e o dinheiro, frutos do trabalho da esposa. Enquanto isso, Margaret ficava em casa pintando dia e noite, acreditando que as coisas estavam certas dessa maneira.

É necessário ter muita coragem em dar um basta numa situação que te sufoca. Margaret precisou lidar com os costumes da época e com a própria crença de que a mulher deve submissão ao marido, independente da situação.

Amy Adams dá a Margaret toda a sutileza e sensibilidade que a personagem exige e, mais uma vez, mostra por que é uma das grandes atrizes da atualidade. Pelo papel, a atriz foi premiada com o Globo de Ouro.

Longe de ser um dos filmes mais conhecidos de Tim Burton, Grandes Olhos retrata a luta de ser mulher em uma sociedade que tenta apagar as conquistas femininas o tempo todo. Em tempos de discussão sobre a importância do feminismo, é um filme essencial.

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