Especial Tim Burton – Parte 3

Era só mais um dia em nossas rotinas, acompanhando nossos grupos de WhatsApp quando chegou para nós a ideia de fazermos um especial para o aniversário de 60 anos de Tim Burton. Para quem quisesse participar, era só escolher um grupo de filmes sugeridos pela nossa querida coordenadora de seção, e então nos dedicar a escrita.

Nossa, como foi difícil para mim essa escolha, teria sido um imenso prazer falar sobre Peixe Grande e Grandes Olhos, que a Graci falou no Especial Parte 1, ou então sobre os filmes do Especial Parte 2 escrito pelo Miguel, já que foram esses filmes que me apresentaram o Batman.

De qualquer forma, adoro todos eles e são todos ótimos filmes na minha opinião.

Mas havia uma lista que estava ainda mais conectada a mim, filmes que assisti ainda na infância e que ajudaram a construir muitas das minhas referências. Então, vamos lá:

 

Os fantasmas se divertem, 1988
(Beetlejuice)

Um clássico da sessão da tarde nos anos 90, com direito a um pouco de tudo: humor, terror, fantasia, suspense, efeitos especiais e música. As cenas do casal recém mortos, tentando sair de casa enfrentando cenários bastante bizarros e a cena do jantar onde a nova família e seus convidados são possuídos e começam a cantar “Banana Boat Song” de Harry Belafonte talvez sejam as mais marcantes.

Ok! Impossível não lembrar da frase: “Beetlejuice! Beetlejuice! Beetlejuice!” que ao ser pronunciada invocava a aparição bizarra de um fantasma, conhecido como exorcista de vivos, interpretado brilhantemente por Michael Keaton. Em sua versão dublada a frase ganhou uma tradução bastante literal: “Besouro Suco! Besouro Suco! Besouro Suco!”

Me lembro de ficar repetindo essa frase pela casa com minha irmã.

A ideia inicial era um drama sobrenatural que mostrasse as dificuldades enfrentadas pelo casal após a morte, mas quando Michael Keaton pede liberdade artística para desenvolver seu personagem, Burton resolveu transformar o filme em uma comédia que venceu o Oscar de Melhor Maquiagem em 1989.

 

Edward Mãos de Tesoura, 1990
(Edward Scissorhands)

Visto por Tim Burton como seu melhor trabalho, Edward Mãos de Tesoura foi considerado um conto de fadas moderno por ter uma estrutura narrativa semelhante a esse tipo de obra.

Johnny Depp interpreta Edward, um rapaz artificial de carne e osso, criado por um velho inventor para ocupar o lugar de uma espécie de filho, mas ele acaba falecendo antes de terminar sua obra, deixando Edward com um conjunto de tesouras no lugar das mãos.

Após o falecimento de seu pai, Edward continua vivendo na mansão que ficava no ponto mais alto da cidadezinha repleta de casas iguais, com pessoas de costumes iguais, que se esforçam para estar no padrão considerado correto. Os conflitos que Edward vive ao estreitar os laços com uma família desta comunidade, pode ser encarado como uma crítica a todos esses padrões que o próprio Tim vivenciou, de forma traumática, durante a infância em sua cidade ao sul da Califórnia. A semelhança da ambientação suburbana do filme, como a vivida por Burton na infância, traz características muito autobiográficas para o filme.

Foi aqui que começou sua parceria com Johnny Depp, que neste momento da carreira, começava a ser conhecido.

Amo a cena em que ele fura todo o colchão d’água, na sequência, aquela onde ele fica bêbado tomando uma dose de whisky com canudinho e todas as vezes que ele faz esculturas no gelo! A explicação sobre a neve, no final do filme, é a melhor. Mesmo sombrio e fantasioso é o tipo de filme que aquece o coração.

 

A lenda do Cavaleiro sem Cabeça, 1999
(Sleepy Hollow)

A ideia de adaptar para o cinema o conto de Washington Irving, teve início em 1993 com Kevin Yagher definido para a direção, mas devido a desentendimento com a Paramount Pictures ele foi rebaixado para designer de maquiagem protética, e então, Tim Burton é contratado para dirigir o filme em 1998.

Seu primeiro filme de terror foi classificado por ele mesmo como o mais difícil, o que mais deu trabalho, já que a maioria dos cenários e figurinos foram feitos artesanalmente. Além dos cenários escuros e depressivos sempre presentes em suas obras, dessa vez haviam muitas cenas no escuro e com fumaça, itens que por mais planejadas que estivessem as cenas faziam com que tudo desse errado, mesmo assim o filme ganhou o Oscar de 2000 de melhor direção de arte.

Mais uma vez Johnny Depp está no papel principal, um investigador de Nova Iorque que é enviado para a cidade de Sleepy Hollow para desvendar os misteriosos assassinatos em que as vítimas eram encontradas decapitadas.

Mesmo sendo um filme de terror, ele carrega um traço comigo bem perceptível que é defendido por Burton. Em sua percepção, poucos filmes de terror realmente assustam o público, e no caso de seu filme, ele tinha certeza que não iria assustar ninguém.

 

Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, 2006
(Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street)

Agora foi a vez de adaptar um musical da Broadway para o cinema.

Mais uma vez Johnny Depp interpreta o papel principal, um barbeiro que é condenado a prisão sob exílio na Austrália simplesmente porque um juiz se interessou por sua esposa. 15 anos após sua partida ele retorna a Londres em busca de vingança. Com um novo nome, ele começa o filme contando sua própria história como sendo de outra pessoa.

O filme ganhou versões diferentes devido a quantidade de sangue de uma das cenas mais violentas de assassinato, assim pode se encaixar nas classificações indicativas de cada país.

Se você não se empolgou muito com o primeiro musical da carreira de Johnny Depp (Cry Baby), pode ter certeza que nesse musical de terror, as coisas são bem diferentes, o filme venceu o Oscar de melhor direção de arte em 2008 e o Globo de Ouro do mesmo ano nas categorias melhor filme – comédia musical e melhor ator – comédia musical.

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