Especial Tim Burton – Parte 4

Muito já foi falado sobre a genialidade de Tim Burton, ou Timothy Walter Burton, esse famoso cineasta americano. Seus filmes possuem características marcantes e inconfundíveis, e especialmente um gosto peculiar, tanto por atores quanto por assuntos ligados à morte e ao sobrenatural, assuntos que são sempre tratados de uma forma bem lúdica e artística em seus filmes. Mas o destaque para esses temas e onde realmente podemos ver essa imaginação tão intensa aflorar, é com certeza, em suas animações.

Podemos dizer que ele sempre esteve ligado a essa área, sendo que após algumas dificuldades na escola, ele conseguiu, ao terminar o colegial, extravasar toda a criatividade ao adquirir uma bolsa, fornecida pelo Walt Disney Studios, para cursar Animação em uma universidade da Califórnia. Após anos de muito estudo, ele finalmente foi contratado como aprendiz pela Disney, para trabalhar em seus estúdios de animação, trabalho que foi importantíssimo para Burton aprender ainda mais sobre essa área e começar a desenvolver sua identidade tão própria.

Como sempre teve interesse por filmes com temas que abordassem a morte e o sobrenatural, ficou insatisfeito após auxiliar na produção do filme O Cão e a Raposa, e desenvolveu três animações próprias, entre elas, o curta Frankenweenie. Essa animação, que conta a história de um menino que ressuscita seu cachorro após sua morte, foi lançada recentemente (2012) pela própria Disney, mas quando foi realizado, em 1984, foi absolutamente rejeitado pela equipe, sendo considerado sombrio demais para ser chamado de filme infantil e por isso, e por sua insistência em suas ideias, Burton foi demitido do cargo.

Após sair, ele trabalhou e realizou sua primeira animação em stop motion completa, Vincent. Este filme retrata a infância do jovem excêntrico Vincent Malloy, e reflete um pouco da infância do próprio Tim Burton, e a sua admiração por Vincent Price, que influenciou muito no seu estilo.

Após essa primeira tentativa, veio então o que muitos chamam de seu maior sucesso em stop motion: O Estranho mundo de Jack, ou A Nightmare Before Christmas, título original. Desenvolvido primeiro como um curta metragem em forma de poema (como suas animações anteriores), a história se desenvolveu para virar um longa metragem que conta a história de Jack Esqueleto, o rei do Halloween, que após se ver entediado com a rotina, descobre a cidade do Natal, sequestra o Papai Noel e decide que naquele ano estaria no comando do Natal junto com os habitantes da sua cidade.

Dirigido por Henry Selick, produzido e escrito por Tim Burton, com as músicas criadas por Danny Elfman, “O Estranho Mundo de Jack” curiosamente foi visto com desconfiança na altura em que estreou, pelo seu lado mais “obscuro e assustador para as crianças”, segundo a Disney. Por causa disso, o filme foi lançado sob o nome da Touchstone Pictures, um selo “B” da Disney, mas foi considerado ao longo dos anos como um sucesso crítico e financeiro, ganhando mais fãs à medida que o tempo passa, e sendo relançado, nos anos 2000, com o próprio selo da Disney. O design de produção foi feito como um livro pop-up, e a sua estética remete muito para o expressionismo alemão cinematográfico dentro da Halloween Town.

Após isso, sua carreira finalmente ganhou notoriedade e ele passou a fazer filmes próprios e até grandes franquias, deixando as animações um pouco de lado. Foi somente em 2005, que ele retornou a essa temática com mais um grande êxito, A Noiva Cadáver, ou Corpse Bride do original. É filme de animação com uma temática mais macabra e exigente, mas com uma excelente história, baseada num conto russo-judaico do século XIX. O filme foi co-dirigido por Tim, na companhia de Mike Johnson. Conta a história de Victor Van Dort , que, receoso em enfrentar um casamento arranjado pelos pais, acaba acidentalmente pedindo em casamento Emily, uma noiva já falecida. Com isso ela acorda e toma-o como esposo, para seu espanto. A partir de então ele ficará dividido entre o mundo dos vivos – escuro, amargo, opressivo, conspiratório – e o dos mortos – colorido, alegre, divertido, liberal – até se decidir por qual caminho irá percorrer.

O filme foi premiado no National Board of Review, indicado ao Critics Choice Award e também concorreu na categoria de Melhor Animação na 78ª Cerimônia dos Oscars. Além disso foi sua animação de maior sucesso de bilheteria – Tendo custado US$ 40 milhões, arrecadou cerca de três vezes este valor em todo o mundo.

Finalmente, o seu último trabalho em stop-motion foi Frankenweenie, remake da curta-metragem de 1984, que foi realizado totalmente em stop-motion, preto e branco e formato 3D.

Conta a história do jovem e tímido Victor, que tem em seu único amigo o cãozinho Sparky. Apesar de tímido ele gosta muito de ciências e tem seu próprio laboratório. Quando chega a época da Feira de Ciências na escola, nosso protagonista humano perde seu amiguinho de quatro patas. Mas Victor tenta de uma forma bem inteligente e perturbadora recuperar Sparky. Com referências a Frankenstein e a “O Cemitério” de Stephen King, é um filme perturbadoramente fofo, e que com certeza merece reconhecimento.

Vale uma menção honrosa aqui também ao longa metragem Dumbo, que está sendo dirigido por Burton e deve estrear em março de 2019 nos cinemas. Será realizado em live action, e seguirá a história de um antigo astro de circo, personagem de Colin Farrell, que retorna ao circo depois de lutar na guerra. Lá, ele é encarregado de cuidar de um elefante recém-nascido, que é motivo de chacota no show por causa de suas grandes orelhas.

Eva Green, Michael Keaton, Danny DeVito e Alan Arkin também estão no elenco.

A Disney já disponibilizou o primeiro trailer do longa, e apesar de não ser um stop motion, promete toda a fofura e cenários escuros que são característicos do diretor.

Para quem ainda tiver curiosidade quanto a stop-motion, Tim Burton é dos artistas mais interessantes de se acompanhar, com um excelente trabalho dentro do gênero, complementando com todos os outros elementos cinematográficos (linha de história, construção de personagens e cenários, banda sonora, etc). Ele é sinônimo de imaginação e originalidade e nos presenteia com o despertar de um universo lúdico e muito criativo.

 

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