Fahrenheit 451 (Ramin Bahrani, 2018)

Publicado pela primeira vez em 1953, Fahrenheit 451 é uma ficção distópica praticamente obrigatória para qualquer leitor. Ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, a história de Ray Bradbury é uma espécie de alerta para que não nos deixemos cair na armadilha da alienação.

Em uma sociedade em que a leitura é crime e os bombeiros são responsáveis por queimá-los, o pensamento crítico é oprimido e a ignorância é incentivada. Acredita-se que os livros traziam tristeza no passado, e que o mais sensato para todos é tornar a humanidade livre destes instrumentos “maléficos”.

Bombeiro dedicado e respeitado, Montag tem sua vida virada de cabeça para baixo depois que passa a se questionar sobre os motivos que o levam a queimar livros.

Montag encontra na jovem Clarisse as portas para um novo mundo, onde ele pode questionar as contradições da humanidade, e um guia que o mostre as falhas na convivência entre pessoas que aceitam todas as condições impostas pelo Estado.

Lá em 1966, o livro de Bradbury foi adaptado para os cinemas pelas mãos do francês François Truffaut. O anúncio da adaptação do canal HBO deixou muitos leitores ansiosos para rever a história revisitada, agora com o roteiro e direção de Ramin Bahrani (Goodbye Solo) e com Michael B. Jordan (Pantera Negra) como protagonista.

O momento vivido pela população é explicado, mas os motivos que trouxeram a sociedade àquela realidade não fica claro. O roteiro de Bahrani  mostra apenas que o governo controla toda a população e não dá margem para o pensamento crítico. Enfatizando o julgamento público e o uso contínuo de emojis, o cidadão-comum se torna juiz na internet – nada fora da nossa realidade.

O filme tem seus acertos (como Michael Shannon, de A Forma da Água, no papel de Capitão Beatty, e Michael B. Jordan), mas se apega demais ao visual futurista e deixa de lado alguns quesitos essenciais na história de Bradbury. É tudo muito superficial, assim como muitas pessoas que vivem em função da internet. É como se ninguém pudesse justificar suas ações justamente por não entender as motivações que as levaram até ali. Como se não bastasse, a Clarisse interpretada por Sofia Boutella (Kingsman: Serviço Secreto) é tão rasa quanto o roteiro do filme.

Como citado anteriormente, havia expectativa para essa nova adaptação, mas ficamos apenas com a sensação de uma obra rasa, sem um mergulho na realidade criada por Ray Bradbury, em 1953.

 

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