Pra quem me conhece, sabe que não sou lá muito fã de filmes de terror – inclusive, alguns jamais tive coragem de assistir, preciso confessar. Para o especial #31diasdeterror do nerdssauros, eu não sabia muito sobre o que falar. Porém, entre os filmes de terror, tem um que sempre me fascinou e que conheço de cor, tendo visto e lido diversas vezes; Esse livro/filme é o clássico de Stephen King, It – A Coisa.

Além dos medos sobrenaturais, o que me fascina em It, são os medos que vem de pessoas comuns e que não necessariamente tem nada de especial – vejo como se a história na verdade fosse uma metáfora para todos os monstros que no fim, existem entre nós, em nossa sociedade sem serem percebidos.

Inicialmente It foi lançado como livro, em 1986, como já dito, pelo escritor e gênio do terror, Stephen King.

Na história, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly, sete crianças moradoras da fictícia cidade de Derry, no Maine, se deparam com um monstruoso ser milenar, que reaparece a cada 27 anos para se alimentar de crianças.

O grupo, autoentitulado de Clube dos Perdedores, investiga o passado da cidade e se depara com a assustadora criatura chamada de It, que aparece na forma de um palhaço chamado Pennywise, o palhaço dançarino. Eles o enfrentam, mas não conseguem vencê-lo totalmente. O grupo então faz uma promessa de sangue: enfrentar e destruir a coisa, caso um dia ela retorne. Passado mais um período de 27 anos, novamente crianças começam a desaparecer, um sinal que criatura está de volta e a promessa tem que ser cumprida.

It tem cerca de 1.100 páginas, e na época de seu lançamento foi um sucesso, apesar das polêmicas (Nos anos 80, Stephen King era viciado em álcool e cocaína a tal ponto que ele chegava a precisar enfiar algodão no nariz para impedir que gotas de sangue caíssem em sua máquina de escrever. Ele ficava sóbrio por aproximadamente 3 horas por dia nessa época. Sua esposa se acostumou a encontrá-lo desmaiado em poças de vômito. Foi nesse estado que King escreveu IT, Misery, Christine, Pet Sematary, Cujo e os primeiros volumes de A Torre Negra, entre outros best-sellers. Não à toa, o livro tem algumas cenas muito bizarras, teorias malucas, e inclusive, sua maior polêmica: uma cena muito inapropriada entre as crianças, no fim do primeiro ato do livro, sendo chamada inclusive de “orgia infantil” em resenhas).

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Mesmo assim, após o sucesso do livro, logo surgiram propostas para realização de um filme do material. Assim como 99% da obra de Stephen King, é claro que It não iria escapar de uma adaptação para a tela. Só que desta vez, acertadamente, o livro foi convertido para a telinha. Produzido para a TV em 1990, e lançado posteriormente em vídeo, a minissérie It: Uma Obra-Prima do Medo tenta (e na maior parte do tempo consegue) trazer para o público a essência do livro. É perfeita a forma como, em cinco minutos de filme, já é possível entender o que está acontecendo: o palhaço Pennywise é um assassino sobrenatural de crianças, e já vem aterrorizando a cidade há bastante tempo.

A minissérie é incrível e transpõe para as telas, de forma fidedigna o livro, porém tem seus defeitos, especialmente no segundo ato. Enquanto no livro os acontecimentos da infância e da vida adulta dos heróis são apresentadas paralelamente, o filme dedica sua primeira parte para narrar o confronto entre as crianças e Pennywise, e depois se foca no segundo confronto, quando eles já são adultos. Mas acontece que depois de uma primeira parte excelente, a segunda é bem mais ou menos: os personagens ficam menos carismáticos, e os atores não tem um décimo da química do elenco-mirim. Também ocorreram pequenos erros e cortes no roteiro que por vezes fazem falta no desenvolvimento do filme, deixando a sensação de que algo foi deixado para trás.

Mas mesmo que roteiro de Lawrence D. Cohen (roteirista de Carrie, A Estranha) às vezes condense demais e às vezes corte momentos preciosos do livro, o filme como um todo funciona perfeitamente. E é claro que a produção não sobreviveria a menos que tivesse um grande ator no papel do vilão. É aí que entra Tim Curry. Ele interpreta Pennywise magistralmente, com um misto de maldade e diversão, fazendo o público lamentar o seu pouco tempo em cena.

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Assim, após o sucesso do telefilme, a história ficou esquecida, até que 27 anos depois (coincidentemente ou não), uma nova versão de It está sendo realizada, desta vez no cinema.

O primeiro filme já foi lançado, em 2017, e aborda a história do primeiro ato do livro, e o primeiro conflito das crianças com o palhaço dançarino.

Sob a direção de Andy Muschietti , inspirado e entregue totalmente na direção do longa, e roterizado por  Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman, numa escrita muito fluida e acertada, destacando tudo que há de bom e adaptando o necessário para que o livro se adeque bem às telas, o filme poderia muito bem receber o subtítulo da minissérie e não seria um exagero: trata-se de uma verdadeira “Obra-Prima do Medo“, capaz de ofuscar qualquer outros lançamento de horror dos últimos (e dos vindouros) anos. Me atrevo a dizer que pode ser considerada a melhor adaptação de um livro do autor para o cinema, tal são seus méritos.

Inicialmente a maioria dos fãs torceram o nariz para a nova adaptação, visto o trabalho primoroso que Tim Curry fez na adaptação de Pennywise dificilmente seria superada por um novo ator. Porém, o que ninguém esperava era a atuação majestosa e assustadora de Bill Skarsgard, que mantém sua caracterização assustadora, com bastante diferença em relação a sua postura original. Se o de Tim Curry fazia uso do humor negro para assombrar o grupo, o de Skarsgård é mais sério e agressivo, explorando todas as vertentes de um palhaço (o da caixinha de música, o que se dobra num espaço curto e, é claro, as danças bizarras).

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O filme assusta sem necessitar do uso de jump scares gratuitos, e sua atmosfera também é quase sufocante para o espectador. Com um elenco mirim talentoso, com destaque para a expressividade de Finn Wolfhard e Jack Dylan Grazer, além da ternura de Sophia Lillis, It – A Coisa é, definitivamente, a primeira parte do que deve se tornar um clássico de terror – e inclusive, as filmagens de sua continuação já se iniciaram: agora com um losers club crescido e medos mais adultos – e esperamos, uma atmosfera ainda mais assustadora.

Aguardamos a chegada da segunda parte ansiosos – E tenho certeza de que, Pennywise permanecerá no imaginário coletivo, seja por livro ou por filme, durante ainda muitos e muitos anos.

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