Poltergeist – O Fenômeno

Antes de mais nada, você sabe o que significa o termo Poltergeist?

Poltergeist é uma palavra originada da junção de dois termos em alemão para explicar eventos paranormais de ordem física, como objetos se movendo e luzes piscando. Casos desse tipo são relatados em diversos locais do mundo desde o século I. O termo significa espírito barulhento    (Polter – barulho, ruído e Geist – espírito, fantasma).

Em nosso vigésimo quarto artigo da série #31diasdeterror vamos falar sobre Poltergeist – O Fenômeno (Poltergeist), não aquele de 2015 com direção de Gil Kenan, e sim sobre o clássico de 1982, escrito e produzido por Steven Spielberg e com direção assinada por Tobe Hooper que ficou encarregado apenas de rodas as cenas, já que todas as decisões criativas ficaram por conta do próprio Spelberg.

Aliás, sua direção no filme é perceptível aos que conhecem o trabalho dele como diretor, na cena em que Robbie (Oliver Robins) está na janela do seu quarto e demonstra estar com medo da tempestade e da árvore, é impossível não lembrar das cenas das crianças olhando pelos vidros do carro, a noite, com chuva, durante o passeio no Jurassic Park.

Rever Poltergeist para escrever essa matéria me fez perceber alguns aspectos da construção da história que passaram despercebidos por mim quando, ainda criança, assisti pela primeira vez.

A primeira coisa que percebi foi a duração do filme, são 114 minutos, um filme longo em comparação aos produzidos atualmente dentro do gênero do terror. O filme tem roteiro, história e conta tudo com bastante tempo.

Há uma preocupação em nos apresentar a família, a forma como Steve (Craig T. Nelson) e Diane (JoBeth Williams) criam os três filhos, o convívio com a vizinhança, a doçura de Carol Anne (Heather O’Rourke) com a cena do pássaro e a amizade entre os irmãos. São nessas passagens de apresentação dos personagens que Spielberg explica algo que muitos filmes praticamente ignoram: a naturalidade com que a família começa a tratar os eventos paranormais. Quando os primeiros acontecem na cozinha, já tínhamos visto os pais fumando maconha no quarto, cena que foi diretamente de encontro com uma das falas de Diane para Steve quando ela vai mostrar uma cadeira deslizando sozinha pelo chão da cozinha!

 “Agora tente lembrar do nosso passado, quando você tinha uma mente aberta”
(Daine para Steve)

Foi a primeira vez que fez sentido a família continuar dentro da casa e considerar a existência de um mundo paranormal, já que se encaixam em um perfil mais liberal, mente aberta para certos assuntos. Além disso, permanecer na casa para poder recuperar um dos filhos perdidos, também me parece um motivo mais do que justo.  Explicações e motivos reais são coisas que não encontramos na maioria desses filmes, geralmente temos uma família burra, que fica insistindo em algo por ignorância e orgulho. Nunca há um bom motivo que explique porque todos insistem em continuar em uma casa ou cidade que claramente está atentando contra suas vidas.

Poltergeist explica isso e constrói um clássico que tem atravessado gerações. Uma super produção que ganhou três indicações ao Oscar para melhores efeitos visuais, melhor trilha sonora e melhor som, além de dois filmes sequência: Poltergeist II – O Outro Lado (1986) e Poltergeist III – O capítulo final (1988).

Outubro já está chagando ao fim, mas dá tempo de dar uma olhada nas indicações aqui do blog e montar aquela listinha para maratonar no dia das bruxas, aproveite para conhecer ou revisitar grandes nomes do terror e do suspense.

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