5 jogos indie brasileiros que fizeram sucesso no exterior

Gostar de games e ser brasileiro nunca foi uma combinação muito boa. Os altos impostos sobre produtos eletrônicos fez com que a pirataria fosse a principal forma de jogar por muito tempo.

Com a dependência cada vez maior de conexão à internet dos novos consoles, ficou praticamente impossível manter um videogame “destravado”. Além da impossibilidade de jogar online, qualquer atualização de sistema já é o suficiente para causar o bloqueio da sua conta e até do aparelho, transformando ele num grande tijolo de plástico (o famoso “brick”).

Contudo, o mercado brasileiro de games não é feito somente de pirataria. Com a popularização cada vez maior de jogos indie, surgiu a oportunidade de estúdios brasileiros lançarem seus próprios games.

 A partir de orçamentos menores, essas desenvolvedoras conseguiram fazer jogos que se destacaram até na gringa. Veja aqui alguns deles:

Horizon Chase (2015)

Desenvolvedora: Aquiris Game Studio

Plataformas: iOS, Android (2015) e PS4, Xbox One, Switch e PC (2018)

Baseado em jogos clássicos dos árcades como o Top Gear, Horizon Chase é um jogo de corrida com uma perspectiva voltada para o horizonte. Se você é mais novo provavelmente já jogou um desses naquela festinha que você não queria ir do seu primo chato.

A Aquiris Game Studio, de Porto Alegre, ainda conseguiu chamar o compositor da trilha original de Top Gear, Barry Leitch, para criar uma trilha nova para o game.

Até 2015 o jogo era exclusivo para mobile, mas ganhou uma versão para plataformas em 2018 com o nome Horizon Chase Turbo. Uma jogabilidade divertida, aliada a uma nostalgia dos clássicos, fez com que ele tivesse uma boa recepção da crítica lá fora.

Knights of Pen and Paper

Desenvolvedora: Behold Studio

Plataformas: iOS, Android (2012), PS4, Xbox One, Switch e PC (2017)

Tenho que assumir que foi difícil escolher um jogo da Behold para essa lista. O estúdio de Brasília também foi responsável pelo Chroma Squad, jogo financiado pelo Kickstarter sobre Super Sentais (leia-se Power Rangers ou outra série japonesa com heróis coloridos de roupa colada).

A premissa de Knights of Pen and Paper é que você possui controle de uma sessão de RPG clássico (por isso cavaleiros de lápis e papel), com um sistema de combate em turno à la Final Fantasy. Mas não estou falando apenas de anões e magos, você também decide o que os players e o mestre vão fazer também.

Se você procura um jogo ironicamente metatextual, provavelmente vai gostar bastante desse. Sua recepção no mobile foi muito boa, ganhando até mesmo alguns 10, mas no console perdeu um pouco da nota.

Agar.io

Desenvolvedor: Matheus Valadares

Plataformas: iOS, Android e PC (2015)

Sim, o jogo mais buscado de 2015 foi desenvolvido por um brasileiro e, de acordo com o mesmo, demorou apenas alguns dias para ficar pronto. O game chegou até a fazer uma rápida aparição na série House of Cards da Netflix.

Com uma gameplay simples e prática, seu objetivo é enfrentar outros jogadores no melhor estilo Spore. No início de toda partida você é uma pequena ameba (ou um círculo colorido) que precisa de nutrientes para crescer.

Conforme você ganha tamanho, pode englobar outras amebas menores controladas por outros players (outros círculos coloridos) fugindo sempre de outras circunferências coloridas amebas maiores.

O jogo contou com algumas atualizações e também ganhou uma versão mobile pela Miniclip. Não vou falar nem de notas aqui porque a simplicidade de Agar.io foi o principal motivo de fazer ele viralizar.

Toren (2015)

Desenvolvedora: Swordtales

Plataformas: PS4 e PC

Apesar de ter sido distribuída por um empresa norte-americana, a Swordtale, baseada em Porto Alegre, foi a responsável por desenvolver o jogo. O estúdio ainda contou com financiamento da lei Rouanet para a criação do game (“torre” em holandês).

Toren é um jogo de aventura onde você controla a Criança da Lua. Como o título indica, seu desafio é escalar a bela e perigosa torre, superando puzzles e chefões no caminho.

O game teve uma recepção morna da mídia, mas se destacou como um dos primeiros jogos indies a ter incentivo por meio da lei Rouanet.

Dandara (2018)

Desenvolvedora: Long Hat House

Plataformas: iOS, Android, PS4, Xbox One, Switch e PC

Desenvolvido inicialmente para mobile, o jogo é um metroidvania onde você controla Dandara, uma heroína baseada numa figura histórica brasileira que lutou contra a escravidão.

A movimentação do jogo é baseada em plataformas brancas, sendo necessário pular entre elas para avançar na história. A jogabilidade é bem dinâmica, sendo mais adequado para quem gosta de jogos mais rápidos.

Apesar das notas da crítica serem regulares para boas, o game chegou a concorrer a algumas premiações, ganhando o prêmio de melhor jogo brasileiro na Brazilian Game Awards.

Por que só temos jogos indie?

Como é possível perceber, muitos desses jogos produzidos no Brasil são mobile. Infelizmente ainda não há nenhum grande estúdio de games 100% nacionais.

Provavelmente vai demorar algum tempo até jogarmos um The Legendo of Zélia ou um Bom de Guerra com o Cleiton, mas aos poucos ganhamos destaque lá fora. Hoje o Brasil é o 13º maior mercado de games e existem muitas oportunidades para esses pequenos estúdios crescerem.

Caso queira conhecer mais alguns jogos indies sendo produzidos perto de casa, a Perifacon vai contar com a presença de uma área de games 100% nacionais. O evento está na sua primeira edição e acontecerá no próximo domingo, dia 24 de março.

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