O Enigma de Andrômeda – Uma Batalha Contra o Invisível

É bem provável que um amante de ficção científica conheça Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, H. G. Wells, e também Michael Crichton, cuja uma de suas obras mais famosas é nada mais nada menos do que Jurassic Park. Mas deixemos essa história para outro dia, pois hoje o texto irá tratar sobre o livro “O Enigma de Andrômeda”.

Uma narrativa que nos leva a nos questionar sobre os possíveis horrores que poderíamos encontrar em nossa busca pelo conhecimento. E como essas ameaças podem ser tão pequenas que nem nos damos conta do quão letais elas podem ser.

Nossa história começa com uma equipe de um programa secreto do governo dos EUA tentando localizar um satélite espacial que teria pousado em algum ponto de uma região afastada no Novo México. Mal sabiam eles do desastre que havia acontecido e do qual eles iriam fazer parte também.

Se em “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, os microrganismos foram a sentença de morte para os invasores, aqui eles podem ser os ceifadores da raça humana através de uma doença rápida, mortal e cruel. O futuro das pessoas estará então nas mãos de uma capacitada equipe de cientistas, os melhores dos melhores, no mais moderno e avançado laboratório já imaginado, que tentarão encontrar uma cura.

O livro de Crichton aborda de uma forma muito profunda os temas dos microrganismos, vírus, bactérias e biologia, além de engenharia e segurança, o que só dá mais verossimilhança para o enredo enquanto observamos a equipe tendo que lidar não só com as frustrações de não encontrem uma cura e não conseguirem entender completamente o que estão estudando, ainda precisam lidar com o fato de que estão sozinhos, isolados de tudo, de suas famílias, do céu, do ar puro, do mundo. Confinados ali dentro enquanto correm contra o tempo.

O livro trata da ameaça que a doença vinda do espaço, e mostra com detalhes o que ela pode causar, mas a narrativa foca bastante em seus personagens e nos desenvolvimentos deles, na forma como tentam superar os desafios e se manterem sãos, com destaques para o Dr. Jeremy Stone, um homem que pode ser um dos maiores gênios que o mundo já viu e uma das pessoas mais insuportáveis já conhecidas, e o Dr. Mark Hall, que apesar de sua formação e tudo, se sente descolado em meio a tantos crânios, é irônico, sendo muito fácil nos identificamos com ele em algum momento.

Falando mais sobre a narrativa, não só é aprofundada nos temas e informações, mas em diversos momentos irá nos apresentar documentos, planilhas, transcrições de conversas sigilosas, artigos e textos jornalísticos, não tenho dúvidas que se o livro de Michael Crichton fosse apresentado como um livro-reportagem, haveria pessoas que acreditariam ou pelo menos achariam que pode se tratar de fatos reais. Orson Welles já mostrou o poder de uma boa narrativa.

Por isso a leitura de “O Enigma de Andrômeda”, obra de uma das mentes mais criativas conhecidas, adaptada para o cinema em 1971 e para a televisão em 2008, é mais do que recomendada, se faz quase uma obrigação.

Colunista: Walter Niyama é estudante de jornalismo pela ESPM, tem 21 anos e possui dois livros publicados: “O Mistério dos Suicidas” e “Guardiões de Sonhos – As Portas dos Pesadelos.

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