Crítica: Invasor Zim e o Florpus

Imagem: Invasor Zim e o Florpus. Netflix.

Um desenho que conquistou uma legião de fãs, mesmo tendo sido cancelado após duas temporadas, e que frequentemente aparece em listas na internet de “desenhos mais polêmicos” por causa de episódio em que temos crianças tendo seus órgãos trocados por objetos, Invasor Zim voltou para uma nova aventura. Embora tenha voltado em 2015 na forma de quadrinhos, uma nova história no audiovisual era desejada.

E logo de cara já fiquei feliz também em saber que os dubladores originais dos principais personagens voltaram: Vágner Fagundes como Zim, Rodrigo Andreatto como Dib e Wendel Bezerra (embora um pouco fora do tom, mas compreensível após tanto tempo) como GIR. Flora Paulita substituiu a voz de Eleonora Prado (que na segunda temporada foi substituída por Márcia Regina), mas nem se nota a diferença. O que é claro, contribui em muito para a nostalgia.

Para aqueles que não o conhecem, Zim é um alienígena da raça Irken, um povo que conquista mundos por todo o universo. Zim quer ser então um invasor pela glória e para agradar seus líderes, os Altíssimos. Porém, ele é muito burro, inconsequente e extremamente irritante, então eles decidem mandá-lo para a Terra, um planeta nos confins do universo e que eles acham que nem deve existir de verdade. Esse é o plot do primeiro episódio.

Agora, no filme exibido pela Netflix, descobrimos que Zim está desaparecido (referência ao tempo em que ele ficou fora do ar, provavelmente), o que faz seu arqui-inimigo, Dib, um jovem investigador paranormal que ninguém dá muita credibilidade, ficar obcecado em saber para onde ele foi, mesmo ele ficando sedentário em frente aos monitores que vigiam a casa do alienígena. Eis então que Zim e seu robô, GIR, voltam a aparecer. Tudo parte do terrível plano do pequeno ser verde.

Imagem: Invasor Zim e o Florpus. Netflix.

Invasor Zim, apesar de ser um desenho animado da Nickelodeon e de ter piadas que encontraríamos em qualquer show infantil, é um desenho bastante sombrio. Não só pelo plot ser o de um invasor interplanetário, mesmo que pouco inteligente e extremamente egocêntrico, mas pelas suas críticas à sociedade, e seu humor pesado em vários momentos. Fora a atmosfera que nos é transmitida pelos traços de seu criador, Jhonen Vasquez, autor dos quadrinhos “Johnny, o Maníaco Homicida” e outros.

Trabalhos de Vasquez da direita para esquerda: Johnny o Maníaco Homicida, Fillerbunny, Squee! e I Feel Sick.

Mas esse estilo único do desenho, seus personagens e o humor, foram as coisas que conquistaram tantos fãs que queriam tanto a volta do desenho que quando foi cancelado deixou alguns episódios e um filme apenas no papel.

Imagem: Invasor Zim e o Florpus. Netflix.

Agora, sobre Invasor Zim e o Florpus, vale a pena? Definitivamente! Todos os elementos que tornaram Invasor Zim tão amado por seus fãs estão presentes em uma aventura grandiosa. De fato, seria um ótimo retorno da série, mas só como um filme para preencher qualquer vazio que tenha ficado pelo cancelamento, está ótimo.

Colunista: Walter Niyama é autor dos livros “O Mistério dos Suicidas” e “Guardiões de Sonhos – As Portas dos Pesadelos”. Natural de São Paulo, atualmente cursa Jornalismo pela ESPM.

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