Crítica do filme Coringa

Vamos a sinopse do filme:

“Para sempre sozinho no meio da multidão, Arthur Fleck busca conexão. No entanto, enquanto caminha pelas ruas de Gotham City e percorre os trilhos grafitados do transporte público de uma cidade hostil repleta de divisão e insatisfação, Arthur usa duas máscaras. Seu dia de trabalho como palhaço, e uma outra que ele nunca pode remover; é o disfarce que ele projeta em uma tentativa fútil de sentir que faz parte do mundo ao seu redor, e não o homem incompreendido que a vida está repetidamente derrotando.”

O filme começa retratando uma Gotham totalmente esquecida pelos governantes e de como a população está se sentindo cansada de tanto descaso e violência. Por um outro ângulo vemos Arthur Fleck – onde seu sonho é ser um comediante de sucesso – tentando a todo custo não enlouquecer nessa cidade que basicamente se encontra a beira do caos.

É impossível ficar apático as sucessivas decepções e agressões que Arthur vem sofrendo no decorrer do filme. As cenas de violência seguidas de momentos que é possível ver a falta de compreensão do personagem em relação a todas essas injustiças que ocorrem, não só com ele mais com a população que é invisível aos olhos de seus governantes e das pessoas de classe mais alta fazem com que, a medida que o filme se desenrola, você ache compreensivo (não justo) o porquê de ele se tornar no Coringa.

A atuação do Joaquim Phoenix em relação a construção do personagem: é simplesmente genial! As crises de risos aleatórias mesmo quando Arthur está visivelmente triste ou com raiva, a desenvoltura corporal como se ele, mesmo quando não está caracterizado, ainda se porta como um verdadeiro palhaço é surpreendente, além do fato dos olhares do personagem demonstrarem uma loucura nata mesmo quando ele tenta ser simpático com os outros, principalmente no real cuidado que tem com sua mãe que também sofre de problemas mentais e no seu trabalho em hospitais por exemplo.

 No quadrinho intitulado Piada Mortal, o Coringa tem uma frase que justifica basicamente os acontecimentos do quadrinho tal como o que ocorre nesse filme:  “Basta um dia ruim para reduzir o mais são dos homens a um lunático.” Quantos “coringas” estavam ali escondidos esperando apenas um dia ruim para extravasar sua raiva e frustrações ao mundo, quantos não estão no meio da gente no dia a dia?

Outro tema tratado no filme de forma bem concisa e cabe a reflexão é a questão de como se é tratado pessoas que possuem doenças mentais, na maioria das vezes o mundo as obriga a agirem como se não tivessem um problema (alegando que é frescura, falta de Deus, etc,) ou simplesmente os coloca no papel de doida ambos os casos havendo uma real omissão de algo tão sério.

O filme Coringa é um filme triste, reflexivo, denso e bastante cruel com muito conteúdo que vale horas e horas de debates entre amigos. É um tipo de obra que foge de todos esses estereótipos de filmes de heróis. O expectador sai do cinema com a aquela sensação de dever cumprido em ter assistido a um filme tão bom.

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